O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, depõe nesta quinta-feira (6) na CPI da Covid.

Queiroga foi o quarto ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro. Ele é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia e, quando ele foi escolhido, o país já tinha 278 mil mortos em decorrência da Covid-19.

Ele foi escolhido como ministro no dia 15 de março.

Ele é ouvido na condição de testemunha, quando há o compromisso de dizer a verdade sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho.

 

Vacina é a resposta

Queiroga pediu para que o Congresso “dê um voto de confiança” ao trabalho dele no Ministério da Saúde.

“Só temos um inimigo, o vírus, o novo coronavírus, e temos que unir nossas forças para cessar o estado pandêmico da doença”, disse ele.

Logo no início de sua fala, ele falou que “a solução é a campanha de vacinação”.

A vacina contra a Covid é a resposta da ciência, de acordo com Queiroga.

Ele lembrou que assumiu o ministério há cerca de 40 dias. “Não tenho condições de me ater a todos os detalhes de um ministério complexo”, disse ele.

Mas ele ressaltou também que houve mudanças – especialmente a respeito da relação com órgãos multilaterais.

“Ampliamos nossa relação com organismos multilaterais da saúde pública. A nossa relação com organismos multilaterais da saúde pública é produtiva e isso tem sido fundamental para conseguirmos insumos estratégicos para nosso sistema de saúde.”

 

Ministro pede máscaras

Em sua primeira resposta, Queiroga tentou incentivar o uso de máscaras: “São medidas não farmacológicas que parecem simples e são simples, como o uso das máscaras, temos que investir em medidas não farmacológicas, políticas de testagem e fortalecer o nosso sistema de saúde para que seja capaz de atender os casos mais graves, os pacientes com síndromes respiratórias graves”.

Ele então ressaltou que o sistema de saúde é tripartite, com União, estados e municípios. “Estamos com nossa equipe técnica com diretrizes que devem ser colocadas à sociedade e secretarias estaduais e municipais”, disse ele.

Essa é uma doença que até pouco tempo era desconhecida, não tinha tratamento específico.

 

Vacinação ‘é fundamental’

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) relembrou os mais de 414 mil mortos por Covid-19 no Brasil e perguntou ao ministro Queiroga sobre a divulgação de um “protocolo para salvar vidas” pelo SUS.

Queiroga disse que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) prevê um prazo de 180 dias para definir sua posição, e confirmou que um protocolo “já está sendo elaborado”.

Mas ele também reforçou a importância da campanha de vacinação para o controle da pandemia.

“Eu queria dizer que para controlar esse problema não é a assistência da saúde em si que fará a grande diferença. É importante a assistência nos hospitais, mas é fundamental a campanha de vacinação”, disse o ministro da Saúde.

 

Relação com a China

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) perguntou ao ministro Queiroga sobre uma insinuação do presidente Bolsonaro, sem mencionar a China, que o novo coronavírus pode ter nascido “em laboratório”.

O ministro da Saúde disse desconhecer conversas com autoridades sobre uma “guerra química”, citada pelo presidente e disse que a relação da pasta com a China “é a melhor possível”.

“Espero que as relações entre Brasil e China continuem e que não tenhamos impactos nessa relação”, disse Queiroga.

 

Ministro evita dar resposta sobre cloroquina

Perguntado diversas vezes sobre qual é a opinião dele sobre a cloroquina e se ele concorda com a campanha que o presidente Jair Bolsonaro faz ao “tratamento precoce”, Queiroga evitou dar resposta.

Ele não respondeu a pergunta, argumentando que essa é uma questão técnica: “Gostaria de manter meu posicionamento final para quando o protocolo for elaborado”, “essa é uma questão técnica”, “existem correntes da medicina, uma corrente é contrária o tratamento precoce, outra corrente defende; essa questão precisa de posicionamento técnico, e o ministro da saúde é a última instância a opinar”.

Em um outro momento, ele afirmou o seguinte: “Questão do tratamento precoce não é decisiva, o que é decisivo é a vacinação e as medidas não-farmacológicas”.

 

Ivermectina e tratamento precoce

Perguntado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre o uso de medicamentos off label (não prescritos em bula para o tratamento da Covid-19), como o anti-parasitário ivermectina, o ministro da Saúde repetiu a resposta anterior dada ao relator sobre o uso de cloroquina, de que há “duas correntes” sobre a aplicação de medicamentos não comprovados.

“A solução que o Ministério da Saúde tem para resolver essa questão é a elaboração de um protocolo clínico e diretrizes terapêuticas”, disse Queiroga. “Todas essas questões devem ser discutidas pela parte técnica […] e colocada em consulta pública”.

 

‘Juízo de valor’

O ministro Queiroga também evitou dizer se ele concorda com outras declarações do presidente Bolsonaro.

O senador Renan Calheiros o pressionou a respeito de dois temas:

  • Declarações de Bolsonaro sobre proibir que estados e municípios decretem lockdowns
  • Declarações de Bolsonaro contra a vacinação

Em ambos os casos, Queiroga alegou que não iria “fazer juízo de valor” sobre as declarações de Bolsonaro.

“O que o presidente falou comigo acerca desse tema é que ele queria assegurar a liberdade das pessoas. Assegurar a liberdade das pessoas eu concordo”, ele afirmou.

A respeito das vacinas, ele afirmou: “São posições externadas que penso não têm impacto na campanha de vacinação”. Ele não disse se concordava com as declarações de Bolsonaro.

 

Grupo de conselho do presidente

Outro momento em que Queiroga evitou dar uma resposta direta, de acordo com a formulação da questão, foi a respeito de um conselho do presidente Jair Bolsonaro.

Renan Calheiros perguntou se ele tinha conhecimento de um conselho extraoficial. “Não tenho conhecimento desse aconselhamento paralelo e não tenho conhecimento da elaboração do mérito. Eu não posso falar de um aconselhamento paralelo que não tenho conhecimento”, respondeu Queiroga.

 

Compra de vacinas

“Eu assumi o Ministério há 40 dias, essas tratativas foram feitas no ano passado”, respondeu o ministro, ao ser perguntado sobre o porquê do governo ter rejeitado um contrato com a Pfizer em 2020.

“Temos um contrato na eminência de ser assinado. A relação com a Pfizer é muito boa, temos a possiblidade concreta de termos mais 100 milhões de doses. Mas não posso falar sobre contrato firmado em gestão anterior”, disse ele.

“Na hipótese de ter essas doses, fortaleceria nosso programa. Fizemos um acordo da Covax e não recebemos. Então o fato de assinar o contrato não quer dizer que vamos receber as doses.”

“Medidas extremas podem ser colocadas em prática em cenários específicos. mas como uma medida nacional, temos um país continental, e uma medida como essa não vai surtir efeito. E temos dificuldade de adesão da população.”

 

Autonomia de estados e municípios

O senador Tasso Jereissati perguntou a Queiroga se ele concorda que estados e municípios tenham autonomia para definir medidas de isolamento.

“Claro que eu concordo”, respondeu o ministro.

 

Fonte: G1.com
Foto: Reprodução