O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel presta depoimento hoje à CPI da Covid na condição de testemunha. O colegiado do Senado tem como objetivo saber quais foram as ações e omissões do governo federal diante da crise sanitária gerada pela pandemia do coronavírus e como os gestores estaduais utilizaram os recursos da União para combater a doença.

Durante a sessão, Witzel chegou a citar que passou a enfrentar um “calvário” após pedir que a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no Rio, fosse investigado.

Witzel foi afastado do governo por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça), após suspeita de participação em esquema de corrupção. A ex-primeira-dama Helena Witzel também foi alvo das investigações.

 

Confira frases ditas por Witzel em depoimento à CPI

“Tudo isso começou porque eu mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle. Quando foram presos os dois executores da Marielle, o meu calvário e a perseguição conta mim (foram) inexoráveis.”

“Ver o presidente da República ir, numa live, lá em Dubai, acordar na madrugada, pra me atacar, pra dizer que eu estava manipulando a polícia do meu estado. Ou seja, quantos crimes de responsabilidade esse homem vai ter que cometer até que alguém pare ele?”

“Os governadores, prefeitos de grandes capitais e de pequenas cidades, ficaram totalmente desamparados do apoio do governo federal. É uma realidade inequívoca que está documentada em várias cartas que nós encaminhamos ao presidente.”

“Demorou o auxílio, os recursos que foram encaminhados para completar o orçamento dos estados também demorou e nós tínhamos até imaginado a possibilidade de redução de salário dos servidores para poder fazer frente ao controle da pandemia. Os recursos vieram, em cima do laço, e conseguimos dar continuidade, mas até lá tivemos dificuldade de poder fazer esse trabalho.”

 

Witzel bate boca com Flávio Bolsonaro na CPI: ‘Mimado’

Wilson Witzel e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) discutiram após Witzel acusar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de perseguição política. Em certo momento, Witzel chama Flávio de mimado.

“Quero dizer que não tenho nenhum problema em estar na presença [de Flávio Bolsonaro]. O conheço desde garoto, conheço sua família, sua mãe, seu pai de longa data, minha questão aqui não é pessoal e em defesa da democracia”, afirmou Witzel ao ser questionado se estava inibido pela presença de Flávio.

Nesse momento, Flávio Bolsonaro interrompe a fala do ex-governador e ironiza: “Que lindo discurso”. Witzel então rebate: “Se o senhor fosse um pouquinho mais educado e menos mimado, o senhor teria respeito com o que eu falar. O senhor me respeite”.

Witzel também diz que não faz a menor questão que Flávio esteja ou não presente para o seu depoimento e o senador responde que “se for reservado, eu vou estar presente também. Eu sou senador da República”.

Flávio também interrompe fala do senador e relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), que responde: “Seu pai parece que não te deu educação, não me interrompa, por favor”.

Para o senador Flávio Bolsonaro, há um “conchavo” entre Renan e Witzel. Ele ainda diz que o ex-governador é suspeito de desviar R$ 700 milhões do Rio de Janeiro durante a pandemia.

“Como diz um colega, o senador Eduardo Girão, isso não é corrupção, é assassinato. Tem sim o depoente a mão suja de sangue. Esse sim é o culpado e vem aqui com um monte de narrativa mentirosa. Faço questão de desmascarar, ele foi eleito enganando a população do Rio de Janeiro e depois se revelou quando sentou naquela cadeira de governador”, disse o filho do presidente.

 

Fonte: UOL
Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo